25 de janeiro de 2017

o nome de Israel

Jacó e seu novo nome: Israel

Quando analisamos os nomes de personagens bíblicos em Hebraico, podemos ver coisas que não podem ser vistas na tradução. Como exemplo, temos a história de Jacó, que depois ficou conhecido como “Israel”.O nome Jacó em Hebraico (YAKoV) está conectado com a palavra para “calcanhar” (EKeV). Você deve lembrar que quando Esaú, o irmão gêmeo de Jacó, saiu a parteira não acreditava: O irmão de Esaú estava segurando ele pelo calcanhar, não deixando ele sair! Vendo o seu filho segurando seu irmão pelo calcanhar, Rebeca e Isaque o chamaram de Yakov (Jacó).
O nascimento de Jacó definiu seu nome até que outro evento de maior significado aconteceu – seu encontro pessoal com um mensageiro muito especial. O mensageiro é conhecido na Bíblia como o Anjo do SENHOR (Gen. 32).
Assim como no seu nascimento, Jacó agarrou outra pessoa novamente com força! No entanto, desta vez ao invés do seu irmão mais velho, era o Anjo do SENHOR. Depois, Jacó exigiu que ele lhe desse algo que nunca recebeu quando criança – a bênção divina que ele tanto valorizava e desejava com paixão. Vendo a persistência e compromisso intenso, o Anjo do SENHOR atendeu o pedido de Jacó e o abençoou.
Como sinal concreto da bênção, o Anjo do SENHOR deu para Jacó um nome completamente novo – Yisrael (Israel). O que significa Israel em Hebraico?

A palavra YiSRaEL é relacionada com o verbo leSRot, que em Hebraico Bíblico significa lutar, aspirar, exercer influência. Neste contexto, é para fazer todas estas coisas com o próprio Deus! Este evento da história mundial foi tão significante, que a nação descendente de Abraão, Isaque e Jacó foi nomeada depois deste encontro particular. Esses descendentes ficariam conhecidos para sempre como o Povo de Israel, o Povo que luta com Deus.
Jacó lutou com um anjo, que, na simbologia do Antigo Testamento, era o próprio Javé, tanto que, mais adiante, em Genesis, 32: 30, se lê: “Jacó deu àquele lugar o nome de Fanuel, dizendo: Eu vi a Deus face face e minha alma foi salva”.
Israel significa, portanto, aquele que luta com Deus”, isto é, “contra Deus”. De fato, em Genesis, 32: 28, se lê: “Porém ele [o anjo] disse: De nenhuma sorte te chamarás Jacó, mas Israel, porque, se foste forte contra Deus, quanto mais o serás contra os homens”.
Pergunta: Isto prenuncia um destino belicoso para o povo de Israel?
Notável essa luta de Jacó com esse ente espiritual, mas a Bíblia parece deixar claro que o esse ser é santo.benigno e poderoso pois do contrário não poderia abençoar a Jacó, por certo é uma teofania,Javé em forma humana. Na compreensão cristã é cristo pré-encarnado.Talvez seja mesmo já que a nação de Israel como um todo se recusa a crer no seu Messias ressurreto(que já ressuscitou).
Quando lemos a Bíblia em Inglês, toda a história dos irmãos que retornam a José após o “roubo” de Benjamin –o discurso deles, o arrependimento deles e depois José revelando sua identidade– parece uma história sem interrupção. No entanto, em Hebraico não é assim. A Torá em Hebraico, juntamente com as divisões de capítulo, também tem divisões em porções da Torá onde de repente termina no meio do capítulo 44. O fluxo da história se quebra –há uma linha pontilhada invisível, uma pausa, o que significa que algo muito importante está prestes a acontecer– então a próxima Porção da Torá, VeYigash, começa com as palavras: Então Judá se aproximou dele… É aqui, em VeYigash, que José se revela a seus irmãos; esta mudança de Judá se revela crucial. É vista como algo precedendo e até mesmo causando, a revelação de José. Qual a razão para isso?
Voltemos a essa história, mas um ou dois dias antes dessa cena. Em Gênesis 43, vemos os irmãos, agora com Benjamim, de pé diante de José. Dez deles já tinham estado aqui antes e toda esta cena deve ter sido um desagradável "déjà vu" para eles. Somente Benjamin, com a curiosidade despertada, examinou esse estranho homem sobre o qual tanto ouviu falar –e que dizer de José?–
Em Hebraico a descrição dos sentimentos de José é profundamente intensa. A Escritura diz que quando José viu Benjamim, ele se apressou e procurou onde chorar, porque se movera no seu íntimo para com seu irmão,entrou no quarto, e chorou ali. Esta é uma das mais fortes, se não a mais forte, expressão no Tanach para descrever os sentimentos que permeiam, uma pessoa compassiva e amorosa. Por exemplo, quando o Rei Salomão estava definindo quem era a mãe da criança e fez como se fosse dividir a criança em dois com uma espada, fala-se sobre a verdadeira mãe: Ela teve o amor materno aguçado por seu filho . A palavra רחמיה/רחמיו pode ser traduzida como “ventre” (é por isso que é traduzida como “coração”, ou mesmo “entranhas” –a parte mais interna de nós–), mas também como a compaixão, misericórdia ou bondade –e é a combinação dessas duas definições que descreve esse amor profundo que vemos aqui–.

Agora tente imaginar o espanto dos irmãos quando esse governador Egípcio, bem no meio da conversa, sem qualquer explicação e sem nenhuma razão aparente, vira-se e anda rapidamente: José apressou-se. Os irmãos estão anos luz de distância da verdadeira razão que obriga José a correr para fora da sala: ele procurou onde chorar. Nenhum deles, incluindo Benjamin, tem a menor ideia do que realmente está acontecendo no coração deste senhor “reservado”. Eles não vem a cena de partir o coração como eu e você fazemos: e ele entrou em seu quarto e chorou ali. Eles não suspeitam o que está acontecendo com José no interior do quarto, e por esta razão a diferença é verdadeiramente grande entre a forma como eles percebem as circunstâncias, e o que realmente está acontecendo na realidade invisível daquele quarto. Além disso, o que José faz ao sair de seu quarto? O oposto do que podemos esperar, e do que ele mesmo provavelmente desejava profundamente fazer: ele lavou o rosto para que suas lágrimas não fossem vistas –assim não haveria nenhum vestígio daquele amor, e saiu; e ele se conteve… A palavra traduzida como “conteve” é a palavra Hebraica להתאפק, que significa “conter ou controlar a si mesmo”. Precisamos lembrar esta palavra, “contido” –estas lágrimas de amor que José teve que segurar– quando lermos o início do próximo capítulo: E deu ordem ao mordomo de sua casa, dizendo… coloque o meu copo, o copo de prata, na boca do saco do mais novo.O que? Por que ele faria isso?

As aulas de matemática na escola nos recordam que dois pontos podem ser conectados por um número infinito de linhas, mas apenas uma delas será reta. Isso é exatamente o que vemos em nossa história. Um ponto corresponde ao que acabamos de ler: e ele entrou em seu quarto e chorou ali. Então lavou o rosto e saiu; e ele se conteve… o outro ponto é a conclusão da história: em seguida, José não se conteve… e ele chorou em voz alta… Estes dois pontos são conectados não por uma, mas duas linhas. Uma linha visível, indireta –a perspectiva propositadamente revelada aos irmãos– vem tona nos eventos do dia: a emoção contida; a instrução de José para colocar o cálice no saco de Benjamim; a saída dos irmãos; a parada e a busca; o retorno à cidade; a conversa com José; o discurso de Judá se sacrificando por causa de Benjamim; e, finalmente, as lágrimas de José, não se contendo quando ele revela sua verdadeira identidade a seus irmãos. Há uma segunda linha, no entanto, escondida e invisível ao olho natural, mas visível para nós, como leitores: a linha reta ligando diretamente José que chora em segredo no quarto interior com José soluçando aberta e violentamente, quando ele em lágrimas se revela a seus irmãos. Aqui, as lágrimas de amor que são seguradas e escondidas no primeiro ponto, são reveladas em sua totalidade no segundo ponto, quando José não se conteve mais.Assim, tornamo-nos testemunhas da incoerência consciente e propositadamente construída entre estas duas linhas: entre o que os participantes da história veem, e o que o leitor sabe e vê. Além disso, descobrimos que o segredo tão cuidadosamente escondido dos participantes da história, mas que nos foi mostrado pelo autor, é o amor. José amava Benjamim, mas até o final da história, este amor fica escondido do próprio Benjamim, e também de seus irmãos. Somente o leitor conhece as lágrimas de José em seu quarto, sabe sem sombra de dúvida que tudo o que aconteceu a Benjamin testemunha a eleição especial e amor especial que o colocou no centro do plano. Só o leitor sabe que tanto o próprio José e seu amor por seu irmão permaneceram inalterados: durante todo o tempo o José que causa a dor de Benjamim colocando o cálice no seu saco, o ama nem uma fração a menos que o José que chora no seu pescoço. A única diferença é que, antes que José tivesse acabado seu plano com os seus irmãos, ele teve que se conter, reter o seu profundo amor por Benjamin. José não pôde se revelar a seus irmãos até que seu plano estivesse completo –até que a obra de Deus em seus corações fosse finalizada–. Assim, esta história revela o caráter do amor de Deus como nenhuma outra.

Agora podemos finalmente responder à questão do por que Jesus proibiu as pessoas de contar aos outros sobre Sua identidade Messiânica. Revelar que Jesus era o Messias para os Israelitas seria semelhante ao mordomo de José, tendo procurado os irmãos e encontrado o copo no saco de Benjamim, nesse momento, contar a eles como e por que o copo chegou lá. Todo o plano de José estaria arruinado. O teste criado por José somente poderia produzir o efeito desejado porque nem Benjamin nem seus irmãos sabiam a verdade naquele momento. Da mesma forma, o plano do Senhor só foi possível porque Israel não conhecia este plano. Isso exigia que Jesus proibisse a divulgação de Sua identidade Messiânica. A história do “roubo” de Benjamin continuou por algumas horas; a história de Israel sendo “inimigos por causa de vós” e “assassinos de Cristo”, já dura dois mil anos –inscrita nas páginas mais sangrentas e mais assustadoras da nossa história–.

Mas como esta história de Benjamin termina? O que fez José finalmente se revelar?
Então Judá se aproximou dele…
Quem ele simboliza e o que é prefigurado por todo esse cenário?

Vocês se lembram das lágrimas de José na sala interior –lágrimas que os irmãos não veem, mas nós os leitores sim?–: ele entrou em seu quarto e chorou ali. Vocês lembram também o que José fez quando saiu deste quarto: ele lavou seu rosto, assim suas lágrimas não seriam vistas –assim não haveria nenhum vestígio daquele amor– e saiu; e ele se conteve… Precisamos lembrar desta palavra “contido” –estas lágrimas de amor que José teve que segurar– quando lemos o resto da história. Precisamos saber que o momento virá inevitavelmente quando as lágrimas de amor que são seguradas e escondidas no Capítulo 43, serão reveladas na sua totalidade, porque José não será capaz de se conter… por mais tampo; ele se permitirá chorar em voz alta e finalmente se revelar aos irmãos.

O que significa “conter-se”? ( לְהִתְאַפֵּ֗ק) O profeta Isaías usou a mesma palavra enquanto falava com Deus sobre Israel. “Onde está o Seu zelo e Sua força, o anseio de Seu coração e Suas misericórdias para comigo? Eles estão contidos?” Para mim o testemunho desta palavra é incalculável: a dramática e surpreendente aparente inconsistência entre o que vemos com nossos olhos e o que se passa na verdadeira, invisível realidade do coração, está condensado nesta palavra. José (revelando o caráter do amor de Deus nisto mais do que em qualquer outra coisa) não pode se revelar aos irmãos até que seu plano esteja completo – –até que a obra de Deus nos corações dos participantes da história esteja finalizada–. Da mesma forma, nós não podemos entender o coração de Deus com base em circunstâncias visíveis. Da mesma forma por causa de Seu plano, Deus contem e retêm o Seu amor e misericórdia, portanto a realidade que vemos com nossos olhos naturais dificilmente corresponde à realidade do Seu coração. É uma realidade “como se” –se vocês lembrarem da nossa Chave Número Três– e esta realidade “como se” é frequentemente usada por Deus para testar corações.

José necessitava do arranjo com Benjamin para que os irmãos se arrependessem e fossem transformados –mas o teste dos irmãos foi possível apenas porque o amor de José por Benjamin estava oculto deles–. Sem exceção, cada irmão tinha de ser mantido no escuro em relação ao amor infinito que este poderoso governador sentia por seu irmão mais novo. Somente fazendo assim a verdadeira atitude deles para com ele poderia ser determinada. Da mesma forma, todos os que receberam a salvação graças a Israel sendo “inimigos por causa (deles)”, hoje estão sendo testados por Israel. A atitude das nações para com Israel pode ser medida, porque, no nível das circunstâncias visíveis, nada as está obrigando a acreditar que Deus ama Seu povo. Nem é preciso dizer que aqueles que sabem que Deus ama Israel podem encontrar confirmações bastante visíveis deste amor. No entanto, os inumeráveis fatos trágicos da nossa história também estão ao serviço daqueles que afirmam que Deus rejeitou Seu povo. Como sempre, Deus dá a todos uma livre escolha: nesse caso, é a liberdade de escolher a atitude de alguém para com Benjamin/Israel.

Paradoxalmente, é por esta atitude que Ele julgará se as atitudes das nações para com Ele são genuínas, e se elas são sinceras em sua adoração a Ele. Vocês se lembram da primeira conversa que José teve com seus irmãos? Os dez irmãos permanecem diante de José, curvando-se até o chão diante dele, e ele lhes diz: “Não, não falarei com vocês até vocês trazerem seu irmão mais novo”. Além disso, justamente por vocês o trazerem com vocês eu descobrirei se há alguma verdade em vocês –se vocês vieram a mim com sinceridade–. Desta forma, vocês serão testados:… tragam seu irmão… que suas palavras podem ser testadas para ver se há alguma verdade em vocês. Talvez os povos em pé diante do Seu trono ouvirão: “Tragam seu irmão –e verei se há alguma verdade em vocês?–”

E agora, voltando à questão mais importante: O que trouxe esta vez “como se” à sua conclusão; por que José não poderia se conter mais? Da última vez, falamos aqui sobre a divisão notável de porções da Torah: Parashat Shavua Miketz termina de repente no meio do capítulo 44, para dar lugar a uma nova Parasha, VeYigash. Assim, o fluxo deste capítulo, completamente ininterrupto nas traduções, quebra no meio do capítulo para um leitor do Hebraico. Há uma quebra, uma pausa, algo importante está para acontecer –e então lemos a primeira frase da próxima Porção–, VeYigash: Então Judá se aproximou dele… É aqui, na VeYigash, após a mudança de Judá e o discurso de Judá, que José se revela a seus irmãos.

Vamos dizer algumas palavras sobre Judá: afinal ele tem sido um participante chave ao longo de toda esta história. Sua voz é decisiva toda vez que algo está para acontecer: é de acordo com sua sugestão que José é vendido para o Egito; é depois de suas palavras que Jacó/Israel libera Benjamin para ir ao Egito; e é depois de seu discurso que José já não pode se conter e revela sua identidade. Entre todos os irmãos, Judá parece ter um papel proeminente e uma autoridade extraordinária. Então quem ele representa?

Todos sabemos que tanto o Rei Davi quanto Jesus eram descendentes de Judá. Você também deve saber que o nome Hebraico de Judá, Yehudah (יהודה), pode ser traduzido literalmente como “ação de graças” ou “louvor”: o verbo lehodot (להודות) significa “agradecer” ou “louvar”, e o nome Hebraico Yehudah é a forma substantiva desta raiz (ידה). No entanto, poucos estão conscientes de que o verbo lehodot tem ainda outro significado: admitir, confessar. Por exemplo, Vidui, o nome Hebraico de uma prece especial de confissão lida antes e durante o Yom Kippur (Dia da Expiação), vem da mesma raiz. Não há dúvida de que este aspecto de ‘confissão’ de Judá fornece uma importante percepção adicional em nossa história.

Tendo dito tudo isso, deixarei para vocês decidirem quem é representado por Judá no cenário do fim dos tempos. Como na história de José, o reconhecimento do não reconhecido será possível somente após o teste ser concluído. Todas as nações serão testadas com o que é mais próximo e mais querido ao coração de Deus –como em nossa história–, todos os irmãos têm que estar prontos para retornar com Benjamim e novamente adar por todo o caminho. No entanto, para que José libere suas lágrimas ‘contidas’, deve haver Judá que estará pronto para intervir e aproximar-se de José: Veyigash. Quando Judá, e aqueles que são representados por ele, estão finalmente dispostos a dar suas vidas por este irmão, só então José permite que suas lágrimas contidas fluam –e só então o Messias– filho de José se revela a seus irmãos, caindo sobre o pescoço de “Benjamin” e chorando.

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